Goiânia (GO) – Um escândalo que mistura violência, abuso de poder familiar e crimes dentro de uma clínica psiquiátrica abalou a capital goiana. A Operação Anathema, deflagrada pela Polícia Civil de Goiás, revelou um esquema de internações forçadas envolvendo o proprietário de uma clínica, familiares das vítimas e funcionários, com mais de 40 mulheres encontradas no local — muitas alegando que foram privadas de liberdade contra a vontade.
Entre os casos, um episódio de janeiro deste ano chama atenção pela brutalidade: Niurica Ribeiro Vinhal foi arrancada de casa por homens armados, entre eles o irmão do dono da clínica. A ação foi articulada com a própria mãe da vítima e o namorado (ou ex-namorado), com quem ela já tinha medidas protetivas solicitadas. Niurica contou que nunca teve bom relacionamento com a mãe e que a internação foi mais um ato de perseguição e violência.
Outro caso recente, de maio, envolveu uma mulher internada compulsoriamente pela própria mãe para que não comparecesse a uma audiência judicial de família. Ela foi mantida trancada por 24 horas até ser resgatada pelo marido, com apoio da polícia e de uma advogada. Na ocasião, a mãe e a irmã ainda teriam levado um computador da residência, configurando furto.
Durante a operação, a polícia prendeu o dono da clínica, Leonardo Carneiro, seu irmão Christiano Carneiro, a gerente e enfermeira Rosane Oliveira e a funcionária Andiara Costa. Os crimes apontados vão de associação criminosa a cárcere privado, sequestro e lesão corporal. Christiano, segundo as investigações, cobrava R$ 500 para “buscar” as pessoas que seriam internadas, muitas vezes usando força física e intimidação.
As atividades da clínica foram suspensas, mas, em nota à TV Anhanguera, a direção afirmou que estaria apta a continuar funcionando, gerando revolta entre familiares das vítimas e ativistas de direitos humanos.
A Polícia Civil segue investigando para identificar todos os envolvidos e apurar se há mais vítimas. Para as mulheres que conseguiram sair, o trauma e a sensação de insegurança permanecem. O caso expõe uma ferida aberta: o uso de clínicas psiquiátricas como instrumento de opressão, vingança e controle pessoal, em total afronta à lei e à dignidade humana.
Redação
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