O advogado goiano Matheus Menezes, que tem nanismo, denuncia ter sido vítima de discriminação durante o concurso para delegado da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG). Inscrito na seleção como pessoa com deficiência (PCD), ele afirma que foi desclassificado no Teste de Aptidão Física (TAF) sem receber as adaptações necessárias, mesmo após apresentar laudos médicos e solicitar ajustes à banca organizadora.
A Fundação Getulio Vargas (FGV), responsável pela organização do concurso, divulgou na última semana o resultado definitivo dos aprovados na etapa física do certame. O nome de Matheus Menezes não aparece na lista de candidatos aprovados.
Segundo o advogado, os avaliadores aplicaram exatamente os mesmos critérios físicos utilizados para candidatos da ampla concorrência, sem considerar sua condição.
Matheus afirma que solicitou formalmente adaptações para realizar a prova física. De acordo com ele, os pedidos foram feitos com base em laudos médicos apresentados dentro do prazo estabelecido no edital.
“Fizeram com que a gente realizasse as provas nos mesmos parâmetros das pessoas sem deficiência, da ampla concorrência”, afirmou.
O candidato também declarou que a solicitação de adaptação para a etapa física não teria sido atendida. “Eu estava amparado em laudos médicos e requeri adaptações nessa fase da prova, mas eles simplesmente não atenderam”, disse.
Vídeos encaminhados à reportagem mostram Matheus sendo submetido às provas físicas, que incluíam salto, corrida e flexões.
Em uma das etapas, ele precisava atingir um salto de 1,65 metro — mesma marca exigida para candidatos da ampla concorrência. Em gravação feita durante a avaliação, um fiscal comunica o resultado ao final da tentativa: “O candidato não atingiu o mínimo exigido pelo edital, que é de 1,65m. Infelizmente, candidato, será considerado inapto nesta prova”.
Para chegar até o Teste de Aptidão Física, Matheus havia sido aprovado em outras fases do concurso, incluindo provas objetiva, discursiva e oral.
Segundo ele, a ausência de adaptação no TAF resultou em uma eliminação injusta. “De forma preconceituosa e discriminatória, eles não adaptaram o TAF”, afirmou.
O edital do concurso prevê que 10% das vagas sejam destinadas a candidatos com deficiência. O documento também estabelece a possibilidade de concessão de condições especiais para a realização das provas por participantes inscritos como PCD.
Entre as exigências, o candidato deveria apresentar laudo médico original ou cópia autenticada, emitido até 90 dias antes do fim das inscrições, indicando o tipo e o grau da deficiência.
Matheus afirma que toda a documentação exigida foi apresentada dentro do prazo.
O próprio edital também estabelece que, dentro das possibilidades técnicas e observando critérios de legalidade e viabilidade, candidatos com deficiência podem realizar provas adaptadas conforme o tipo de deficiência, garantindo igualdade de condições na disputa pelas vagas.
A reportagem do Integração News procurou a Fundação Getulio Vargas (FGV) e a Academia de Polícia Civil de Minas Gerais (Acadepol), responsável pela execução das provas, para comentar o caso.
Até a publicação desta matéria, não houve retorno das instituições. O espaço segue aberto para manifestação.
Redação: Integração News
Jornalista: João Pedro Lira
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