A Justiça de Goiás absolveu o engenheiro civil responsável pela reforma do toboágua onde o menino Davi Lucas de Miranda, de 8 anos, morreu após uma queda em 2022, em um parque aquático de Caldas Novas. A decisão concluiu que não ficou comprovada a autoria ou participação direta do profissional no fato que resultou no acidente.
Davi morreu em 13 de fevereiro de 2022, depois de cair de uma altura aproximada de 13 metros no DiRoma Splash. O brinquedo, conhecido como “Vulcão”, estava em manutenção e com parte da estrutura desmontada.
Na sentença, o magistrado entendeu que o engenheiro não poderia prever a retirada do tapume que isolava a área em obras. Segundo a decisão, a conduta do profissional só ganhou relevância em razão de uma “ação autônoma e imprevisível de terceiro” — no caso, a abertura de uma brecha na barreira de proteção.
O gerente do clube à época também respondia ao processo, mas firmou acordo com o Ministério Público e não foi submetido a julgamento. Ele assumiu ter retirado o tapume que bloqueava o acesso à obra, o que possibilitou a entrada da criança na estrutura. Como parte do acordo, pagou R$ 8 mil a uma creche do município e evitou eventual condenação criminal.
Natural de Conselheiro Lafaiete (MG), Davi estava em viagem com a família quando subiu pela única escada de acesso ao toboágua. A perícia apontou que não havia sinalização clara na entrada indicando interdição ou manutenção.
Laudo da Polícia Técnico-Científica constatou que a escada não possuía placas visíveis nem barreiras adequadas para impedir o acesso. Havia apenas uma corrente no chão e uma placa pequena, considerada de difícil percepção. No topo da escada, apenas um dos quatro escorregadores estava isolado com fita zebrada.
A principal hipótese é que o menino tenha acessado um dos tubos parcialmente desmontados. Sem a estrutura completa e sem água na pista, ele caiu em queda livre, atingindo uma estrutura metálica antes de chegar ao solo.
Davi foi socorrido por guarda-vidas, por uma enfermeira do parque, por equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e pelo Corpo de Bombeiros. Ele chegou a ser intubado e encaminhado ao Hospital Municipal de Caldas Novas, mas não resistiu. A causa da morte foi apontada como traumatismo craniano seguido de afogamento, após parada cardiorrespiratória.
Durante a apuração, o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Goiás destacou que, em locais com grande circulação de pessoas, é recomendável manter vigilância permanente e estruturas reforçadas de interdição para impedir o acesso de não autorizados a áreas em obra.
Relatórios policiais também indicaram que poderiam ter sido adotadas medidas adicionais de isolamento, como reforço de barreiras físicas e presença de funcionários para orientar visitantes. À época, o DiRoma afirmou que, ao longo de 50 anos de funcionamento, nunca havia enfrentado uma tragédia dessa magnitude.
Com a absolvição do engenheiro e o acordo firmado pelo gerente, o caso é encerrado na esfera criminal.
A família de Davi não se pronunciou até o momento.
Redação: Integração News
Jornalista: João Pedro Lira
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