sábado , 7 março 2026

Suspeita de subnotificação de dengue em Goiânia alarma Saúde e pode colocar vidas em risco, diz gestão municipal

A Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia manifestou preocupação diante da pressão de médicos para subnotificação de casos de dengue na capital. Segundo a gestão, a prática compromete o planejamento da rede pública e pode expor a população a riscos graves.

De acordo com o superintendente de Vigilância em Saúde, Flávio Toledo, a eventual omissão de registros impede que o município dimensione corretamente a demanda por atendimento e organize recursos como insumos hospitalares e equipes médicas. “A notificação é compulsória e o planejamento depende de dados reais. Sem isso, a gestão fica no escuro e a população vulnerável”, afirmou.

Mensagens atribuídas a profissionais de saúde em grupo ligado ao Sindicato dos Médicos no Estado de Goiás indicariam orientação para alteração do Código Internacional de Doenças (CID), com o objetivo de reduzir oficialmente os registros de dengue.

Segundo Toledo, o sistema de notificação é essencial para o planejamento estratégico da saúde pública, incluindo compra de macas e soros, além do remanejamento de equipes para áreas com maior circulação do vírus. Sem dados confiáveis, afirma, torna-se impossível prevenir surtos ou evitar agravamento dos casos.

A gestão municipal também alerta para prejuízo financeiro direto. Os repasses do Ministério da Saúde são calculados com base nos registros oficiais. Baixa notificação pode resultar na redução de recursos destinados ao combate da doença.

O cenário é considerado ainda mais preocupante devido à circulação do sorotipo 3 da dengue em Goiânia — variante para a qual a população possui baixa imunidade, aumentando o risco de agravamento da epidemia.

Apesar das mensagens que indicariam tentativa de manipulação de dados, a Secretaria Municipal de Saúde informou que segue monitorando a rede e, até o momento, não houve necessidade de emissão de alertas formais.

A omissão de notificação de doenças compulsórias pode gerar consequências éticas e criminais. O Código de Ética Médica proíbe a não colaboração com autoridades sanitárias, e o Código Penal Brasileiro prevê detenção de seis meses a dois anos, além de multa, para casos de omissão de notificação obrigatória.

Em nota, o Sindicato dos Médicos no Estado de Goiás afirmou não orientar nem compactuar com qualquer prática que viole normas sanitárias ou éticas. A entidade declarou que manifestações individuais não representam sua posição institucional e reafirmou que eventuais divergências com a gestão municipal são tratadas exclusivamente por vias legais.

Redação: Integração News
Jornalista: João Pedro Lira

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