Sem saber a própria data de nascimento nem o nome dos pais, Luanna Silva de Sousa, de 39 anos, tenta reconstruir a própria história e faz um apelo público para encontrar qualquer parente biológico. Abandonada ainda bebê e encontrada na Igreja Matriz de Trindade com marcas de maus-tratos, ela busca, quase quatro décadas depois, respostas sobre sua origem.
Professora e mãe de dois filhos, Luanna construiu uma vida estável, mas afirma carregar uma ausência permanente: a falta de informações sobre os primeiros meses de vida. Ela acredita ter 39 anos, mas não tem confirmação oficial. Não possui documentos que esclareçam seu nascimento ou os primeiros registros. Tudo o que sabe foi relatado por terceiros, a partir do momento em que foi resgatada.
Segundo relatos da época, a menina era usada por outras pessoas para pedir dinheiro nas ruas e apresentava sinais de agressão. “Eu cresci sabendo que fui muito machucada. Queimada com cigarro. Isso faz parte da minha história, mesmo que eu não lembre de tudo”, relata.
A única lembrança material daquele período é uma blusa que vestia quando foi acolhida. A peça foi guardada ao longo dos anos e se tornou símbolo do início interrompido. “É a única coisa que sobrou de quando eu ainda estava com a minha família biológica”, afirma.
Na época, houve dificuldade para encontrar um abrigo que pudesse recebê-la. Sem destino definido, ela poderia ter sido encaminhada a outra instituição. Foi então que Dona Terezinha Sousa, hoje com 80 anos, decidiu assumir a responsabilidade pela criança. A guarda definitiva, no entanto, só foi regularizada quando Luanna já tinha 17 anos.
Formada e atuando como professora, ela afirma ter superado muitos obstáculos. Ainda assim, convive diariamente com questionamentos sobre sua identidade. “Eu não sei nem o dia do meu aniversário. Não sei se tenho irmãos. Não sei com quem eu pareço. Parece que falta um pedaço de mim”, diz.
Na tentativa de se aproximar do próprio passado, chegou a utilizar uma ferramenta de inteligência artificial para recriar uma possível imagem de como era quando foi abandonada. Para ela, a reconstrução simbólica representa o desejo de se reconhecer na própria trajetória.
Agora, Luanna decidiu tornar pública a busca por familiares biológicos. Ela espera que alguém possa reconhecer detalhes da história ou ter informações que ajudem a esclarecer suas origens.
“Eu não quero apontar culpados. Eu só quero saber de onde eu vim. Se eu tiver um parente, um primo distante, qualquer pessoa da minha família, eu já vou me sentir completa”, afirma.
A professora pede que a história seja compartilhada. Para ela, cada divulgação pode representar a chance de finalmente preencher o vazio deixado pelo abandono.
Redação: Integração News
Jornalista: João Pedro Lira
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