sábado , 7 março 2026

Cirurgia inédita em Goiás reacende esperança na medicina: substância experimental pode ajudar na regeneração da medula espinhal

Um procedimento pioneiro realizado em Goiânia marcou um novo capítulo na medicina regenerativa em Goiás. Um paciente goiano recebeu, em janeiro deste ano, a polilaminina — substância experimental que vem sendo estudada como possível auxílio na recuperação de lesões medulares agudas. Foi a primeira cirurgia do tipo realizada no estado.

O procedimento foi acompanhado pelo médico Alan Anderson Fernandes Oliveira, diretor técnico assistencial do Centro Estadual de Reabilitação e Readaptação Dr. Henrique Santillo (Crer), onde o paciente segue em acompanhamento clínico.

Ainda em fase de pesquisa, a polilaminina tem gerado resultados considerados promissores por especialistas. O tema ganhou repercussão nas redes sociais após a divulgação de relatos e vídeos que mostram a recuperação funcional de pacientes submetidos ao tratamento.

Atualmente, um dos principais estudos sobre a substância é conduzido pela cientista Tatiana Sampaio, com equipe vinculada à Universidade Federal do Rio de Janeiro.

O paciente goiano não integra o estudo clínico oficial, mas conseguiu acesso à terapia experimental por autorização judicial concedida em casos graves. Trata-se de um homem entre 40 e 50 anos, cuja identidade permanece em sigilo por decisão da família e da Justiça. O governo estadual ofereceu apoio logístico para a realização do procedimento.

Segundo Alan Anderson, o perfil do paciente segue o padrão mais comum entre lesionados medulares, predominantemente homens jovens vítimas de traumas — especialmente acidentes automobilísticos.

A polilaminina é uma versão recriada em laboratório da laminina, proteína naturalmente presente no organismo humano e essencial para o desenvolvimento e organização dos tecidos.

A inovação científica consiste em transformar a substância em uma estrutura microscópica capaz de funcionar como uma “ponte” entre áreas rompidas da medula espinhal. Essa estrutura cria um suporte físico que pode permitir o crescimento dos axônios — prolongamentos dos neurônios responsáveis pela transmissão de sinais entre cérebro e corpo.

Em termos práticos, a substância tenta restabelecer a comunicação interrompida pelo trauma.

Segundo o médico, o resultado pode variar entre limitado e expressivo, dependendo principalmente da reconexão correta dos neurônios e da qualidade do processo de reabilitação pós-operatória.

A cirurgia ocorreu sem intercorrências e o paciente apresentou evolução considerada positiva. No Crer, o acompanhamento inclui avaliação da qualidade de vida, funções motoras, controle da bexiga, sexualidade e reabilitação multidisciplinar.

O centro é referência no tratamento de lesões medulares, com mais de 12 anos de experiência na área. Segundo o especialista, terapias convencionais podem gerar recuperação entre 10% e 15%. Já estudos iniciais com polilaminina indicam potencial de recuperação entre 70% e 75% — estimativas ainda preliminares.

Apesar do entusiasmo da comunidade médica, especialistas reforçam que a substância ainda não foi aprovada para uso clínico amplo.

O desenvolvimento segue etapas rigorosas de pesquisa:

  • Fase 1: avaliação da segurança

  • Fase 2: comprovação de eficácia

  • Fase 3: validação clínica ampliada

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou, em janeiro de 2026, a continuidade dos testes em humanos, focados principalmente em lesões medulares agudas na região torácica.

Até agora, os resultados envolvem um número reduzido de pacientes, o que impede conclusões definitivas sobre eficácia. Especialistas lembram que parte dos lesionados medulares pode recuperar algum movimento mesmo sem intervenção experimental, dependendo do tipo de lesão e da resposta individual.

Também não há comprovação científica de benefício em lesões crônicas.

Embora o paciente goiano apresente evolução positiva e compartilhe nas redes sociais sua rotina de reabilitação física, pesquisadores alertam que ainda não é possível estabelecer relação direta entre a melhora e o uso da polilaminina.

Se os resultados forem confirmados nas próximas etapas, a expectativa é que a terapia leve alguns anos para se tornar amplamente disponível.

Por enquanto, o avanço representa um sinal de esperança — acompanhado da cautela que toda inovação científica exige.

Redação: Integração News
Jornalista: João Pedro Lira

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