sábado , 7 março 2026

Nova paralisação pode atingir maternidades de Goiânia e reacende crise na rede pública de saúde

Seis meses após a última paralisação que afetou os serviços nas maternidades públicas de Goiânia, médicos voltam a discutir a possibilidade de suspender novamente os atendimentos. Profissionais da Maternidade Célia Câmara participam, nesta segunda-feira (23), às 19h, de uma assembleia convocada pelo Sindicato dos Médicos no Estado de Goiás (Simego) para decidir se iniciam uma nova greve. A categoria aponta atraso de pagamentos e condições de trabalho como principais motivos.

A direção da unidade confirmou que há remuneração pendente referente ao corpo clínico, mas informou que a quitação está prevista para esta segunda-feira (23/2) e que os atendimentos seguem normalmente. Já a Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia afirma que os repasses à Sociedade Beneficente São José (SBJ) — uma das Organizações Sociais com contrato renovado por mais seis meses — foram realizados dentro do prazo e que monitora a assistência prestada.

A nova mobilização ocorre em um cenário de instabilidade que se prolonga desde o ano passado. Em agosto de 2025, parte dos serviços das maternidades municipais foi suspensa após anestesiologistas interromperem atendimentos. Segundo a Cooperativa dos Médicos Anestesiologistas de Goiás (Coopanest-GO), a paralisação ocorreu porque a Fundação de Apoio ao Hospital das Clínicas da UFG (Fundahc) não teria repassado mais de R$ 1,4 milhão devidos desde setembro de 2024.

Naquele período, a Maternidade Nascer Cidadão chegou a suspender cesarianas, partos e curetagens por falta de anestesistas. A situação foi normalizada gradualmente, enquanto a prefeitura reorganizou o fluxo de pacientes e redirecionou casos não urgentes para outras unidades, como a Maternidade Dona Íris.

Relatórios administrativos também apontaram que cirurgias eletivas, exames especializados e consultas em diversas áreas ficaram comprometidos por cerca de um ano em algumas unidades, reflexo de atrasos de repasses e dificuldades financeiras acumuladas.

O processo de reorganização da rede foi acompanhado por órgãos de fiscalização, entre eles o Ministério Público de Goiás e o Ministério Público do Trabalho de Goiás, que supervisionaram a transição de gestão e a regularização dos serviços.

Além das crises nas maternidades, a rede municipal de saúde enfrenta outro fator de pressão: médicos credenciados já paralisaram atendimentos neste ano após contestarem mudanças contratuais que, segundo a categoria, reduziram honorários e ampliaram responsabilidades legais.

A situação segue em acompanhamento pelo Integração News.

Redação: Integração News
Jornalista: João Pedro Lira

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