sábado , 7 março 2026

Jovem morre após 11 dias internada com queimaduras e relato da filha levanta suspeita de feminicídio em Goiás

A jovem Emilli Vitória Guimarães Lopes, de 23 anos, morreu no domingo (8) após permanecer 11 dias internada em estado gravíssimo no Hospital Estadual de Urgências Governador Otávio Lage de Siqueira (Hugol), em Goiânia. Ela estava na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), entubada e respirando com ajuda de aparelhos, desde que sofreu queimaduras dentro da própria residência, em Aparecida de Goiânia.

O velório de Emilli ocorre desde a madrugada desta segunda-feira (9), e o sepultamento está previsto para as 15h, no Cemitério Jardim da Saudade, na capital.

O caso aconteceu na noite de quarta-feira (28), mas só foi oficialmente comunicado à Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (DEAM) dois dias depois. Inicialmente, o companheiro da vítima, de 22 anos, afirmou à polícia que o incêndio teria sido provocado por um acidente doméstico. Segundo essa versão, Emilli utilizava álcool na pia da cozinha enquanto preparava o jantar, quando uma explosão teria causado as chamas.

A versão, no entanto, passou a ser questionada após o relato da filha do casal, uma criança de apenas 3 anos. De forma espontânea, a menina disse a familiares que “o papai jogou fogo na mamãe”. A declaração levantou suspeitas e levou a família a procurar a polícia, que passou a investigar o caso como violência doméstica, com possibilidade de tentativa de feminicídio. Com a morte da jovem, a tipificação do crime poderá ser reavaliada.

Familiares também relataram que a mãe de Emilli só foi informada da gravidade do estado de saúde da filha na sexta-feira (30), dois dias após o ocorrido, quando recebeu a informação por meio de uma cunhada. Até então, ela não sabia que a jovem estava internada na UTI nem que havia sofrido queimaduras graves. Diante da situação, a mãe procurou a Justiça e solicitou medidas protetivas em favor da filha e da neta, conforme registros do Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO).

O relacionamento do casal também passou a ser analisado durante a investigação. Segundo relato da mãe à polícia, Emilli já havia sido agredida anteriormente pelo companheiro e chegou a se afastar, permanecendo alguns dias na casa da família. Apesar disso, teria retomado o relacionamento após promessas de mudança. Vizinhos afirmaram ainda que discussões frequentes eram ouvidas no apartamento, principalmente nos fins de semana.

A Polícia Civil informou que o inquérito segue sob sigilo, para preservar a criança, considerada vítima indireta da violência. Até o momento, não há mandado de prisão expedido contra o suspeito.

Redação: Integração News
Jornalista: João Pedro Lira

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