sábado , 7 março 2026

Presidente da Câmara de Rio Verde é preso em operação que apura esquema criminoso em contratos de concursos públicos

O presidente da Câmara Municipal de Rio Verde, vereador Idelson Mendes, foi preso preventivamente na manhã desta quinta-feira (5) durante a deflagração da Operação Regra Três – Quarta Fase: Contrapartida. Além do parlamentar, dois servidores públicos e dois advogados também foram alvos de mandados de prisão preventiva. A operação, conduzida pelo Gaeco Sul (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), ainda cumpriu um novo mandado contra o delegado da Polícia Civil Dannillo Proto, que já se encontra preso em decorrência de fases anteriores da mesma investigação.

As prisões marcam um novo avanço nas apurações que investigam a suspeita de atuação de uma organização criminosa instalada dentro do Parlamento municipal. Segundo o Ministério Público, o grupo teria fraudado procedimentos de contratação de instituições de ensino responsáveis pela realização de concursos públicos, utilizando de forma indevida mecanismos de inexigibilidade de licitação para direcionar contratos e controlar a arrecadação das taxas de inscrição pagas pelos candidatos.

De acordo com o Gaeco Sul, os advogados presos ocupavam posição estratégica no esquema ao atuarem simultaneamente como consultores jurídicos do Legislativo de Rio Verde e representantes da empresa beneficiada. Essa sobreposição de funções teria permitido a criação de uma espécie de “blindagem jurídica”, por meio da emissão de pareceres e decisões administrativas que davam aparência de legalidade a contratações previamente ajustadas.

As investigações apontam que, a partir desses contratos direcionados, o grupo obteve vantagens financeiras indevidas, incluindo pagamentos superfaturados e repasses ocultos. Parte dos valores arrecadados nos concursos públicos teria sido desviada por meio de contratos de ressarcimento e outros mecanismos utilizados para ocultar a origem dos recursos.

Esta nova fase da Operação Regra Três tem como foco mapear o caminho do dinheiro, identificar os beneficiários finais do esquema e dimensionar os prejuízos causados aos cofres públicos e aos candidatos. O Ministério Público informou que novas diligências não estão descartadas e que a investigação segue em andamento para responsabilizar todos os envolvidos. O esquema já havia sido alvo de suspensão e anulação pelo Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) e pelo Poder Judiciário, após as primeiras provas reunidas pelos promotores.

Os quatro presos preventivamente serão submetidos a audiências de custódia e devem permanecer à disposição da Justiça em unidades prisionais do Estado. Já o material apreendido durante o cumprimento dos cinco mandados de busca e apreensão será periciado, com o objetivo de verificar se outros agentes públicos ou municípios vizinhos, como Santa Helena de Goiás e Iporá, também foram impactados.

Em nota enviada ao Integração News, a nova defesa do delegado Dannillo Proto e de Karen Proto informou que ainda não teve acesso aos novos elementos apresentados no processo e, por isso, não realizou análise técnica do conteúdo. Os advogados afirmam que, em uma avaliação preliminar, há indícios de “overcharging”, termo utilizado para caracterizar acusações excessivas, e que a estratégia de defesa será apresentada no momento oportuno.

Sobre o suposto envolvimento do delegado com o presidente da Câmara de Rio Verde para obtenção de vantagens em procedimentos licitatórios, a defesa declarou que não irá se manifestar antes de ter acesso integral aos autos.

Redação: Integração News
Jornalista: João Pedro Lira

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