sábado , 7 março 2026

Goiás entra no jogo global das terras raras após investimento bilionário dos EUA em mineração estratégica

A mineração de terras raras em Goiás ganhou destaque no cenário internacional após a Serra Verde, única empresa do setor em operação no Brasil, anunciar a ampliação de um financiamento bilionário concedido por um banco americano ligado ao governo dos Estados Unidos. Segundo o Integração News, o aporte passou para US$ 565 milhões e inclui a possibilidade de os norte-americanos adquirirem uma participação acionária minoritária na mineradora que atua no norte goiano.

O financiamento é realizado pela Development Finance Corporation (DFC), instituição estatal dos EUA. Inicialmente, em novembro, o valor anunciado era de US$ 465 milhões e não previa participação societária. Com o novo acordo, além do aumento dos recursos, há um reforço da presença americana em um setor considerado estratégico para a transição energética e para a indústria de defesa.

A Serra Verde opera uma mina de terras raras no norte de Goiás e, atualmente, exporta 100% de sua produção para a China, país que domina cerca de 60% da extração global e aproximadamente 90% do refino desses minerais. Apesar disso, a empresa — controlada por dois fundos de investimento americanos e um britânico — informou que ajustou contratos para direcionar parte da produção a mercados ocidentais, sem especificar os destinos.

Mesmo com o apoio financeiro, a mineradora ainda não opera em sua capacidade máxima. A produção atual é estimada em 5 mil toneladas de óxido de terras raras por ano, com meta de alcançar 6.500 toneladas até o fim de 2027.

“O anúncio representa um forte reconhecimento da importância estratégica da Serra Verde no cenário global”, afirmou o CEO da empresa, Thras Moraitis. Segundo ele, o suporte dos Estados Unidos contribui para a formação de cadeias de valor mais independentes. “O compromisso de quase US$ 600 milhões garante um futuro promissor para a empresa e para diversas companhias que dependem de nossas terras raras”, destacou.

Ainda não foi informado se o contrato estabelece a obrigatoriedade de fornecimento da produção para empresas americanas, especialmente dos setores de veículos elétricos e defesa, que utilizam ímãs produzidos com esses minerais. Especialistas, no entanto, apontam que esse tipo de contrapartida é comum em acordos desse porte.

A movimentação reforça a estratégia do governo dos Estados Unidos de firmar acordos diretos com empresas brasileiras que atuam na exploração de minerais críticos, reduzindo a dependência da China. O Brasil, que possui a segunda maior reserva de terras raras do mundo, é visto como peça-chave nessa estratégia.

Além da Serra Verde, o DFC também firmou, em setembro, um contrato de US$ 5 milhões com a Aclara, empresa que desenvolve um projeto avançado de exploração de terras raras no norte de Goiás. Os recursos serão utilizados para a conclusão do estudo de viabilidade da mina e podem ser convertidos em participação acionária futuramente.

A Aclara anunciou ainda planos de construir, até 2028, uma refinaria nos Estados Unidos para processar o concentrado extraído no Brasil. O investimento previsto é de US$ 277 milhões nos EUA, enquanto o projeto em Goiás demanda cerca de US$ 680 milhões. A expectativa da empresa é suprir mais de 75% da demanda americana por elementos pesados de terras raras voltados à produção de veículos elétricos até 2028.

Nesta semana, o governo dos Estados Unidos também anunciou novas alianças internacionais com países da União Europeia, Japão e México para fortalecer as cadeias globais de suprimento de minerais críticos. O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, participou do evento, que contou ainda com representantes do Itamaraty.

Redação: Integração News
Jornalista: João Pedro Lira

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