sábado , 7 março 2026

Formanda que viajou mais de 35 horas de ônibus vestida de beca é homenageada em colação de grau em Senador Canedo

Após concluir a graduação em Direito e cumprir a promessa de visitar os pais vestida de beca, a estudante Darilene Rocha de Carvalho foi homenageada no último dia 30 de janeiro durante a cerimônia de colação de grau realizada no Paço Municipal de Senador Canedo, na Região Metropolitana de Goiânia.

A trajetória de Darilene foi destacada em discurso feito pela direção da instituição de ensino, que ressaltou os desafios enfrentados ao longo da graduação e a perseverança da formanda. A homenagem ocorreu diante de colegas, professores e familiares, em um momento marcado por forte emoção.

“Ela me mandou um vídeo nas redes sociais dizendo que tinha ido até a casa dos pais vestida de beca, em agradecimento àqueles que não puderam estar aqui hoje”, afirmou o professor e diretor da universidade, Leonardo Rodrigues. Os pais de Darilene não participaram da cerimônia devido à idade avançada e às dificuldades de deslocamento.

Durante o discurso, o diretor também destacou a repercussão da história. “A sua história de vida me inspira e inspira muitas outras pessoas”, declarou, ao incentivar os presentes a conhecerem a trajetória da formanda.

Ao final da homenagem, Leonardo Rodrigues reforçou o simbolismo da conquista. “É a história de uma mulher que, com muita garra, luta e força, chegou ao curso de Direito e conseguiu concluir essa etapa. Ela representa a força de cada um de vocês”, disse.

Emocionada, Darilene descreveu o momento como inesquecível. “Foi lindo, acho que todo mundo chorou. Foi surreal, uma sensação maravilhosa”, relatou.

Natural da zona rural de Formosa da Serra Negra, no Maranhão, Darilene é a oitava de nove filhos de uma família de lavradores. A infância foi marcada por dificuldades financeiras e pela limitação no acesso à educação.

Ela se mudou para Goiânia aos 15 anos e, aos 16, começou a trabalhar em uma loja de tecidos no setor Vila Nova, conciliando o emprego com os estudos. Sem condições financeiras para ingressar imediatamente na faculdade de Direito, buscou outras formações e chegou a considerar a prestação de concursos públicos. “Eu sempre quis o Direito, mas não sabia nem por onde começar”, contou.

A escolha pelo curso foi influenciada por conflitos enfrentados pela família relacionados ao acesso à terra. Segundo Darilene, há restrições impostas por vizinhos quanto à passagem até a propriedade rural. “Em um dos caminhos fomos ameaçados. No outro, não permitem a construção da estrada”, relatou.

“Eu sempre pensei: vou estudar, vou vencer e vou dar o melhor para eles. Não me preocupo comigo, me preocupo com eles”, afirmou.

A viagem para cumprir a promessa envolveu mais de um dia de deslocamento em ônibus, além de um trecho final feito a pé até a Fazenda Suspiro, acompanhada por familiares.

Atualmente, Darilene trabalha como analista de certidão de tempo de contribuição e frequenta um cursinho preparatório para a prova da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Após a aprovação, ela pretende fazer pós-graduação em Direito Previdenciário e Direito Agrário.

Redação: Integração News
Jornalista: João Pedro Lira

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