Em 2025, o estudante Artur Bernardes, então matriculado no curso de Direito da Universidade Federal de Goiás (UFG), fez uma aposta inusitada com um amigo: provar que conseguiria evoluir em Matemática a ponto de ser aprovado no curso de Inteligência Artificial da instituição, que naquele ano registrou a segunda maior nota de corte do Sisu. Artur venceu a aposta — que rendia apenas um almoço —, foi aprovado, mas decidiu abrir mão da vaga, uma escolha incomum diante da alta concorrência.
Com 19 anos, completados em dezembro, o estudante acertou 44 das 45 questões do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e afirma ter uma visão crítica sobre o curso de Inteligência Artificial da UFG, que considera “superestimado”, principalmente pela forma como é apresentado ao público.
Segundo Artur, a alta nota de corte estaria ligada a uma valorização excessiva promovida pela mídia. “Muitas vezes, seguir esse curso pode ser o maior erro da carreira de um jovem da geração Z. Na área de tecnologia, o portfólio costuma ser mais valorizado do que o currículo, e a ausência de uma formação profunda em programação pode prejudicar o desenvolvimento profissional”, avalia.
Para ele, escolas e orientadores educacionais têm dado uma atenção exagerada ao bacharelado em Inteligência Artificial. Ao analisar a grade curricular, Artur afirma que boa parte das disciplinas é voltada às áreas de humanas, enquanto conteúdos técnicos e de programação acabam ficando em segundo plano, o que, em sua visão, não atende plenamente às exigências do mercado para desenvolvedores e profissionais da área.
O estudante também critica a falta de aprofundamento por parte de professores e gestores escolares ao indicarem o curso. “Muitos não pesquisam as particularidades da formação e não fazem ressalvas quando recomendam IA para quem quer seguir carreira em tecnologia. Não é que os alunos tenham uma fé cega no futuro da inteligência artificial, mas acabam escolhendo um caminho que pode não ser o mais adequado”, diz.
Aprovado também no curso de Direito da Universidade de São Paulo (USP), Artur decidiu seguir para a instituição paulista. Ele reconhece que a inteligência artificial terá papel central no futuro, mas defende que uma formação mais sólida em áreas tradicionais da computação seja mais valorizada. “Cursos como Ciência da Computação, com disciplinas optativas em IA ou até um mestrado na área, tendem a ter mais reconhecimento no mercado”, argumenta.
Artur relata ainda conversas com estudantes que já cursam Inteligência Artificial na UFG, cujos depoimentos reforçaram suas dúvidas. Entre os pontos citados, estariam diferenças na dificuldade de disciplinas compartilhadas com outros cursos do Instituto de Informática, como Ciência da Computação, Sistemas de Informação e Engenharia de Software. Segundo ele, no curso de IA essas matérias seriam mais facilitadas, o que poderia favorecer, de forma desigual, o acesso a bolsas de pesquisa.
Por fim, o estudante afirma que outro fator relevante em sua decisão foi a percepção de que o curso de Inteligência Artificial não possui o mesmo reconhecimento internacional que graduações mais consolidadas, como Ciência da Computação. As informações foram apuradas pelo Integração News.
Redação: Integração News
Jornalista: João Pedro Lira
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