sábado , 7 março 2026

“Chacina do Solar Bougainville”: quatro policiais vão a júri popular pela morte de jovens e desaparecimento de adolescente em Goiânia

Quatro policiais militares irão a júri popular acusados de envolvimento na morte de quatro jovens durante uma ação policial que ficou conhecida como “Chacina do Solar Bougainville”, ocorrida em 2018, em Goiânia.

Segundo as investigações, três rapazes foram mortos a tiros dentro de uma residência onde jogavam videogame. Um adolescente de 14 anos, por sua vez, teria sido retirado do imóvel ainda com vida, colocado em uma viatura policial e levado até uma área de mata, onde foi executado. O corpo do menor nunca foi localizado.

Serão julgados os policiais Fabrício Francisco da Costa, Éder de Sousa Bernardes, Cledson Valadares Silva Barbosa e Thiago Antônio de Almeida, acusados pelas mortes de Marley Ferreira Nunes, de 17 anos, Matheus Henrique de Barros Melo e Divino Gustavo de Oliveira, ambos de 19 anos, além do homicídio e da ocultação do cadáver do adolescente João Vitor Mateus de Oliveira, de 14 anos.

De acordo com a denúncia do Ministério Público de Goiás (MPGO), o crime aconteceu na noite de 23 de abril de 2018, quando os quatro jovens estavam reunidos na casa de Matheus, no Residencial Solar Bougainville, jogando videogame. Testemunhas relataram que uma viatura do Batalhão de Choque foi estacionada de ré na garagem do imóvel, enquanto os policiais entraram na residência.

Três dos jovens foram mortos dentro da casa, sem qualquer possibilidade de defesa. Já o adolescente João Vitor teria sido levado vivo pelos policiais até uma área de mata no Setor Forteville, a cerca de 2,4 quilômetros do local, onde foi executado. Conforme o MP, o corpo teria sido ocultado após o crime.

Moradores da região relataram ter ouvido disparos, gritos e pedidos de socorro vindos da residência naquela noite. Dias depois, um par de chinelos e a carcaça do celular de João Vitor foram encontrados em uma área de mata, além de projéteis de arma de fogo. Para o Ministério Público, os elementos reforçam a tese de execução e ocultação de cadáver.

À época, os policiais alegaram que foram até o local para averiguar a presença de um carro roubado e que teriam sido recebidos a tiros, reagindo em legítima defesa. No entanto, depoimentos de testemunhas e de familiares das vítimas contradizem essa versão. Perícias realizadas pela Polícia Científica também não identificaram armas de fogo no imóvel que comprovassem troca de tiros.

As investigações começaram na Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), em razão do desaparecimento de João Vitor, e posteriormente foram conduzidas pela Delegacia de Homicídios.

A Justiça manteve todas as qualificadoras apontadas pelo Ministério Público, incluindo o uso de recurso que dificultou a defesa das vítimas e, no caso do adolescente, o homicídio cometido para garantir a impunidade dos crimes anteriores.

Além de confirmar o julgamento pelo júri popular, a decisão determinou que os policiais permaneçam afastados das atividades operacionais de rua, atuando apenas em funções administrativas até o fim do processo, como forma de proteger testemunhas e assegurar a instrução criminal.

Em nota, a Polícia Militar informou que o caso está sob análise do Poder Judiciário e reafirmou o compromisso da corporação com a legalidade, a transparência e a colaboração com as autoridades responsáveis pelo julgamento.

A data do júri popular ainda não foi definida.

Redação: Integração News
Jornalista: João Pedro Lira

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